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Como saber quanto a sua carteira custa por ano

Nadav Peretz, Sócio ·

  • Taxas e custos
Computador numa mesa de trabalho exibindo o diagnóstico da jornada financeira na plataforma da Mgmt

O custo da sua carteira é a soma de quatro números, e os quatro estão disponíveis para você hoje, sem pedir nada a ninguém. O que costuma faltar não é acesso, é o roteiro. Este é o roteiro, na ordem, e ele fecha em uma tarde mesmo para quem tem muitas posições.

O que ter aberto antes de começar

Três coisas: a posição consolidada de cada instituição em que você investe, a lâmina ou o regulamento dos fundos que aparecerem nela, e as notas de corretagem dos últimos doze meses. Tudo isso fica disponível na própria plataforma. Separe também o valor total investido, porque ele é o denominador de tudo no final.

Passo 1. Liste cada posição e o peso dela

Numa planilha, uma linha por posição: nome, valor atual e quanto ela representa do total. Não precisa de precisão de centavo, precisa de proporção. Uma taxa alta numa posição que é 2% da carteira quase não muda o resultado, e uma taxa média numa posição que é 40% decide a conta inteira.

Passo 2. Anote a taxa de cada fundo

A taxa de administração e a de performance estão na lâmina e no regulamento, com o índice de referência usado. Multiplique a taxa pelo valor da posição para chegar ao custo em reais: R$ 120 mil num fundo de 1,5% ao ano são R$ 1.800 por ano.

Se houver taxa de performance, não estime pela regra. Procure quanto foi efetivamente cobrado nos últimos doze meses, que aparece no informe do fundo, porque a regra só vira custo quando o resultado acontece.

Passo 3. Meça o custo dos títulos de renda fixa

Aqui não existe taxa declarada, e é por isso que este passo é o que mais surpreende. O que dá para medir é a diferença. Pegue cada título comprado nos últimos doze meses e veja a que taxa o mesmo papel, com emissor e vencimento parecidos, estava sendo oferecido em outras duas instituições no mesmo período.

A diferença anualizada, aplicada ao valor investido, é uma estimativa razoável do que ficou pelo caminho. É aproximação, e ainda assim costuma ser o maior número da sua lista. O mecanismo por trás disso está em quanto você paga de taxa sem ver no extrato.

Passo 4. Some corretagem, custódia e previdência

Corretagem e custódia saem das notas de corretagem: some os doze meses. Na previdência, são dois números e não um: a taxa de administração do fundo e a taxa de carregamento, cobrada na entrada ou na saída, que boa parte das pessoas não sabe que paga. O extrato da previdência traz as duas.

Passo 5. Feche em um número por ano e em uma porcentagem

Some tudo. O resultado é quanto a sua carteira custa por ano, em reais. Divida esse valor pelo total investido e multiplique por cem: é o custo em porcentagem ao ano. Esse é o número que serve para comparar qualquer proposta que chegar até você, inclusive a nossa.

Se você não conseguir chegar a esse número com o que tem acesso hoje, isso já é uma resposta.

Um exemplo fechado

Uma carteira de R$ 600 mil, distribuída assim: R$ 120 mil num fundo com taxa de 1,5% ao ano, R$ 80 mil em outro com 0,8%, R$ 300 mil em títulos de renda fixa e R$ 100 mil em previdência com taxa de 1,2%.

Os fundos custam R$ 1.800 e R$ 640 por ano. Na renda fixa, comparando as taxas contratadas com as que estavam disponíveis para papéis equivalentes, aparece uma diferença de 0,4 ponto percentual, o que dá cerca de R$ 1.200 por ano. A previdência custa R$ 1.200, fora o carregamento. A corretagem dos doze meses somou R$ 300.

Total de R$ 5.140 por ano, ou 0,86% do patrimônio. Nenhuma dessas linhas parecia grande sozinha, e é sempre assim: o custo de uma carteira raramente está num item, ele está na soma.

O que fazer com o resultado

Não existe número universalmente caro. Um custo de 1,2% ao ano pode fazer sentido numa carteira que exige acompanhamento próximo e decisões frequentes. O mesmo 1,2% numa carteira de renda fixa simples é caro, porque está cobrando por um trabalho que ali não existe. O que define se o número é alto é a função que ele paga.

Depois de ter o número, três perguntas fazem o resto do trabalho. O que exatamente ele está pagando. Quanto dele volta para quem recomendou cada produto. E o que muda se você não fizer nada, porque trocar posição tem custo de imposto e de tempo fora do mercado, e uma diferença pequena de taxa nem sempre cobre isso.

Se você chegou até aqui e não quer fazer a soma à mão, o diagnóstico de carteira faz exatamente esse caminho com os seus dados e devolve o número em reais e em porcentagem. O resultado é seu, com ou sem a gente: ele serve para negociar onde você já está, e serve para decidir não mudar nada.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para fazer essa conta?
Uma tarde, na primeira vez, e menos de uma hora nas seguintes, porque a planilha já está montada. A parte mais demorada é reunir as lâminas dos fundos e as notas de corretagem, e ela só precisa ser feita uma vez por instituição.
Onde encontro a taxa de administração do meu fundo?
Na lâmina e no regulamento, os dois disponíveis na plataforma em que você investe, na própria página do fundo. A lâmina traz a taxa de administração, a taxa de performance e o índice de referência usado para calcular a performance.
Como sei se estou pagando taxa de performance?
O regulamento diz qual é a regra, e o informe do fundo diz quanto foi efetivamente cobrado no período. Vale olhar os dois, porque um fundo pode ter regra de performance e não ter cobrado nada num ano em que não superou o índice.
Meu banco não mostra o custo total da carteira. Isso é normal?
É o padrão do mercado. Não existe obrigação de consolidar todos os custos num único número, e as cobranças ficam distribuídas entre lâmina, informe do fundo, nota de corretagem e extrato de previdência. Por isso a soma precisa ser feita por você ou por alguém a seu serviço.
Custo alto significa que eu deveria trocar de investimento?
Não necessariamente. A troca pode gerar imposto e tempo fora do mercado, e em alguns casos isso consome a economia por vários anos. O número serve primeiro para negociar onde você está e para decidir o que fazer com os próximos aportes.

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